segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Deleite.
Estar junto, em paz. Conversa de riso fácil.
Água de coco. Pé na areia. Chuva por entre o couro cabeludo.
Água gelada. Carinho de bicho. Pai e mãe em paz. Trabalho bem feito.
Vento, muito vento. Vento de movimento.
Emoção de estar junto.
Escrever, ler.
Entender o que você me diz.
Respeito ao humano. Delicadeza. Falar o verdadeiro.
Leveza. Banho de sol. Mirar a lua.
Cheiro de mato. Cores vibrantes de flores.
Café forte. Olhar complacente.
Desejo vibrante. Confiar. Entrega.
Ter missão. Ter fé. Ter propósito.
Coragem. Aventura. Inovação.
Arte. Beleza. Sentimento. Bondade. Bem.
Conhecimento. Dormir bem. Dança.
Foto. Quadro.
Bolhas de sabão. Charme.
Tudo, para quem quer tudo.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Um bom ano.
A frase dita ao pé do ouvido, na piscina.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Não sentir.
Quando percebi sua respiração, mal consegui entender. Vento teimoso e veloz, entrando e saindo de suas entranhas. Respira-rápido.
Quando toquei suas mãos, entendi. Menina de mão de não, irriquieta, hesitante. Tremedeira.
Quando a vi, tão perto, li sua mente. Li muito bem lida. E estava tudo coloridamente caótico. Escuramente perplexo.
Quando fitei seus pés, vi o correr que eles queriam, e almejavam. Um correr de velocidade, de sair desembestada, de não segurar mais nada.
Quando a vi, pobre criança assustada, eu chorei. Eu chorei mesmo, de lágrima caída, de coração despedaçado, de coisa descompassada. De choro desamparado, e tímido. De choro de beira de rosto. De choro silencioso. De choro de uma só lágrima. Porque não, eu não queria sentir.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Sobre a natureza de todas as coisas.
A lua precisa ser vista.
O mar precisa ser invadido pelos nossos corpos.
O vento necessita adentrar cabelos, e peles, e sorrisos.
Eu preciso viver.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Olhando para.
Olhando assim, em sono profundo, me senti sozinha. Um dia, não estariam representados aqui.
Me perguntei o que eu faria, quando nem a sombra mais existisse.
Me deu uma falta. Uma vontade de agarrar o momento com a mão, não soltar mais, engolir e guardar bem trancado.
Andorinhas...
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Simples.
Deus do céu, nada nunca foi tão simples. Não pode ser. Não há como calar ideias questionadoras. Não há como entender que o risco é que faz a relação, que nada exibe uma perfeita segurança. Que o que flui não tem complicação.
Ah, o que flui não tem complicação... Não tem confusão. Não fica a água e pão. Não é pensado, é sentido. Não há complica a ação. Há simplifica a ação.
Então, pode ser simples?
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Resposta.
O comum não me interessa.
Eu gosto do que está guardado, escondido.
Gosto da tua parte mais profunda, do que quase ninguém vê.
Tuas reflexões, tuas visões, tua forma de amar, tudo profundo.
Gosto da tua tristeza, do teu se trancar no escuro, do teu medo da vida.
Da tua religiosidade.
Da familiaridade.
Da tua musicalidade.
Da verdade que você busca incessantemente, todos os dias.
Da tua parte mais interessante, mais linda, mais dolorida, mais confusa e mais profunda.
Eu gosto de onde consigo te enxergar de perto.
sábado, 20 de novembro de 2010
Coisa alguma.
'Dói-te alguma coisa? - Dói-me a vida, doutor. (...) - E o que fazes quando te assaltam essas dores? - O que melhor sei fazer, excelência. - E o que é? - É sonhar.'
Mia Couto
Findas.
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.'
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.'
Paulo Leminski
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Lenda no chá das cinco.
Ria descontroladamente. Não, não...
Saiu por aí colocando a energia da vida pra fora. Foi mostrar a face na noite. Não, não, não...
Relembrou da mágica da vida. Não.
Estava doendo. Tudo pulsava num descompasso. Ela temia. Ela repensava. Ela se fazia sofrer.
Apesar disso, o chá das cinco ainda era servido, todos os dias. Sim, sim, sim.
E ela, ia fazer o que com essa bagagem? Ela não sabia, não sabia.
Ia... Ficar por ali. Relembrando ser gente. Relembrando o espelho. Pensando nas armadilhas da sua mente e do seu coração.
Ia, ia ficar por ali. Relembrando a luz cortante da escuridão. Acreditando na força puxante da vida. Pulsante.
Mas, por enquanto, acreditando, só. Só acreditando.
sábado, 30 de outubro de 2010
Dicionário
Ansiedade é uma energia caótica, que surge quando a mente está num ritmo, e o coração em outro.
Medo é o reaparecer do bicho papão da infância, com garras bem maiores.
Impotência é uma paralização de corpos e de mentes.
Tristeza é uma dor que faz a gente não respirar direito.
Mentira surge quando a boca de quem fala e o ouvido de quem escuta não combinam.
Paz é o espírito relembrando que não há o que temer.
Encanto é quando as almas se reconhecem.
Escrever... Ah, escrever! ... É dar saída para ideias vivas.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Insatisfação. Criação.
Não a insatisfação que paralisa, aquela causada pela impossibilidade da felicidade absoluta; mas a insatisfação que nos coloca em movimento, carregando tudo o que somos em busca permanente de sentido. Desejar é estar sempre no caminho, conscientes de que o fim não importa. O fim já está dado, o resto tudo é possibilidade.” '
Ana Adelaide
Quero tudo ter Estrela, flor, estilo
'Eu não quero ver
Você cuspindo ódio
Eu não quero ver
Você fumando ópio
Pra sarar a dor
Eu não quero ver
Você chorar veneno
Não quero beber
O teu café pequeno
Eu não quero isso
Seja lá o que isso for...
Eu não quero aquele
Eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo
Acenando tchau...
Não quero medir
A altura do tombo
Nem passar agosto
Esperando setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro
Este hoje, escuro
O maior desejo da boca
É o beijo
Eu não quero ter o Tejo
Me escorrendo das mãos...
Quero a Guanabara
Quero o rio Nilo
Quero tudo ter
Estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo
Água e sal...
Nada tem
Vez em quando tudo
Tudo quero
Mais ou menos quanto
Vida, vida
Noves fora zero
Quero viver, quero ouvir
Quero ver'
Baleiro. Zeca.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Encontro.
Deve ser para isso que o encontrar serve.
Para se sentir entendido, acolhido. Para voltar a acreditar em mágica.
Qualquer mágica.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Ele veio me visitar.
Cecília.
Uso palavras dos outros.
"Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar."
Meireles.
Uso palavras dos outros.
"Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada."
sábado, 25 de setembro de 2010
Sim,
O poder está ali, onde não devia estar:ao alcance das mãos.
Mas, o que eu queria mesmo, era uma varinha de condão.
Me perco nessa poesia toda.
Um adeus...
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Os caminhos da alma humana.
"eu sei que estou ficando desequilibrada. de novo. eu sei pq me conheço, pq sei quando uma dor começa a apertar no peito, quando a noite começa a parecer monstra, quando meu coração acelera de pavor e de medo, e eu nem sei de que. sei quando meu dia começa a ficar confuso, turvo, cinza. sei quando minhas emoções viram de pernas pro ar, e eu já não consigo ter uma paz, ou um descanso na alma. sei quando eu estou com preguiça da vida. quando eu quero parar tudo e me esconder. quando o desespero se instala, a tristeza, a dor de não sei o que que me consome. eu tenho ódio!
ódio dessa alguma coisa que me toma, que me inquieta, que eu percebo que vai me acompanhar pra sempre. não me sinto livre dela. me sinto aprisionada por um lado escuro que nunca quer ir embora.
tenho vergonha dessa minha parte. não tenho orgulho desse descontrole, dessa covardia, dessa desilusão. nada parece fazer o menor sentido. parece que eu estou perdida no meio de uma confusão. eu tenho tanto medo! eu queria que alguém, um braço grande e amigo, viesse e me cobrisse, e me dissesse que tudo vai ficar bem."
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Amarras.
Ou não deveria haver.
Sempre achei que existia uma vida vivida, e uma vida pensada.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Se dar conta.
Mas... Se dar conta pode ser um processo libertador.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Músicas.
Ere esse o som que se propagava.
E ali ficou claro o papel da música na vida... relembrar o que a gente pensou um dia, e agora outro vem e nos sopra no ouvido, como se a gente tivesse pensado naquilo juntos.
Deu um gosto bom de cumplicidade, com alguém que nunca tinha visto. E essa mágica linda da vida fez outro som surgir no ambiente. O canto da boca sorriu.
Você vai procurar essa música e ouvir?
terça-feira, 3 de agosto de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
O incrível poder dos detalhes.
Se separam por uma toalha que insiste em ficar em cima da cama; por causa de manias horríveis e inaceitáveis do outro; pelo fato de não gostar mais do cheiro, ou de não aguentar mais ouvir a voz ou uma opinião.
Se separam por conta da tampa da privada que teima em ficar levantada; porque um sempre demora pra se arrumar, e por outro ir rápido demais. Porque se faz barulho comendo. Porque se fala miando. Porque se fala de menos. Porque se fala demais. Porque se veste como uma dançarina de funk. Porque gosta de música brega. Porque tem orelhas de abano, que na época da paixão não eram notadas...
Ah, as pequenas coisas antes não eram notadas...
Porque antes existia um detalhe que fazia toda a diferença: o sentimento verdadeiro.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
odiar.
ele sabia odiar.
terça-feira, 6 de julho de 2010
O escafandro e a borboleta.
Percebeu-se que o diretor nos projetou para dentro daquele corpo. Daqueles olhos. Daquele sentir.
Percebi que existem diversas outras maneiras das pessoas ficarem presas na síndrome do encarceramento.
sábado, 19 de junho de 2010
Serena.
Ela resolveu falar. E de lá saíram todas as agruras do peito. A palavra cortava. Os gestos gritavam uma dor difícil. O apelo entrava na mente dos que estavam à sua volta, e o grito sufocado surgiu. Bateu na minha dor...
E eu tive que escrever. Tive que escrever sobre dores, e angústias, e apelos, e tremor de pernas e de mentes.
Tive que escrever sobre peitos rasgados, choro amargurado, desengano teu e meu.
Tive que escrever, mais ainda, sobre calmaria, companhia, razão de ser, peso embora, liberdade, sobre alma leve, ventania, ser pessoa, caminhada, nuvem branca, mão amiga, minha e tua.
Serena...
Eu quis escrever sobre a vida.
Para uma amiga querida. Ela sabe.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
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Marguerite Yourcenar
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Impenetrável. Infinito.
De não-sei-quem-inteligente-sensível.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Época de...
E a areia voou, pra longe.
Fez um redemoinho.
Depois, acentou.
Há época de voo.
E há época de...
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Baseado.
Baseado na minha interpretação do texto secreto de P. I.
sábado, 22 de maio de 2010
Voz.
A voz interna persistente.
O que você veio fazer aqui, você terá ajuda.
Seguir o caminho.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O país das Maravilhas em Alice.

Alice tem que enfrentar uma batalha, e ainda nem sabe disso direito. Alice é uma guerreira, e nem se deu conta.
O tempo parou de passar para o Chapeleiro Maluco, porque Alice não estava lá. Só havia realmente sentido em ser refém das horas se fosse por um bom motivo. Havia uma falta de lucidez bem racional, usada em prol de algo.
A Rainha Vermelha vê mais sentido em ser temida do que em ser amada.
O Coelho sabia que só precisava passar de relance para chamar a atenção de Alice. Ele sabia que ela queria ver o Coelho Branco, tanto é que viu. E o seguiu.
Uma lagarta, que bem que podia ser a consciência de Alice, que a questionava o tempo inteiro quem era ela. Quem era ela... Quem ela era...
Alice, que mudava tanto de tamanho, e tinha que contar com roupas que já não lhe cabiam mais. Com realidades que já não lhe cabiam mais. Com caminhos que já não lhe cabiam mais.
Dois irmãos gêmeos, que deveriam ajudar a jovem Alice a decidir o caminho, mas sempre apontavam para caminhos distintos, confusos... Para caminhos opostos. Alice tem que decidir.
A bondade, o medo, a conquista, o enfrentamento, o descobrir, o mistério, o encantamento... Tudo.
Alice mata o monstro. Morre de medo, mas o medo só a deixa após a possibilidade de enfrentamento. Ela vence. E, como prêmio, pode ter o sangue, que a levará para onde ela quiser.
"Posso voltar para casa?" Se você assim desejar, pode... Pode o impossível, o possível, e o voltar pra casa.
O país das Maravilhas sempre esteve dentro de Alice, porque sempre a pertenceu.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Um samba sobre o infinito.
Não diga nada sobre os meus defeitos
Eu não me lembro mais quem me deixou assim ...
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer, ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito."
Para ver as meninas. Da Viola, Paulinho.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Sobre um todo de emoção.
Alguma coisa que lembrasse aquele sonho.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Esfregar.
Verdades que falavam do que ela queria viver, do que queria estar fazendo. Mas não estava.
Esfregou na cara dela de forma suave, já que era meigo, verdadeiro, e estava mostrando através do ato mais genuíno e doloroso: inventou de fazer da própria vida uma obra de arte. Uma forma de viver bem linda e apavorante.
Ele esfregou na cara dela verdades que ela já conhecia.
Ele esfregou na cara dela verdades que ela já não acreditava.
Canção:
Larga de ser boba e vem comigo
Existe um mundo novo e quero te mostrar
Que não se aprende em nenhum livro
Basta ter coragem pra se libertar, viver, amar
De que valem as luzes da cidade
Se no meu caminho a luz é natural
Descansar na sombra de uma árvore
Ouvindo os pássaros cantar, cantar, é...
H.
domingo, 2 de maio de 2010
Dessas pessoas aí.

Dessas pessoas aí, que querem sugar o que digo. E querem olhar minhas fotos. Saber dos meus vestidos. Do meu coração.
Dessas pessoas aí, que querem saber do meu brilho. Do meu olho tranquilo. Da minha palavra certeira.
Dessas pessoas aí, que querem viver minha vida, por estarem perdidas, no que seriam as suas.
Que me olham, e querem descobrir os meus jeitos.
Cansei delas. Qualquer um pode virar uma dessas pessoas aí.
Deus me livre.
Era um criar de asas.

Era um não sei o que de certeza, um não sei por onde de euforia, uma coisa toda de leveza leve.
Era uma estrela, uma lua, um sol, uma chuva, uma cachoeira, um banho de mar completo.
Era uma vida toda. Toda bem inteira. Era um criar de asas.
Era de um voar diário. Voar alto, voar longe, voar com vento por entre dedos e cabelos.
Era de uma inteireza...
Era inteiro.
Para Marina, e para mim.
sábado, 1 de maio de 2010
Solitária.
Ela estava sozinha. Solitária.
Perdida no emaranhado de estar perto de si mesma.
Entre tantas verdades, sensações, lembranças, histórias, medos, ânsias, fomes, febres.
Ela estava só, perto do selvagem coração da vida.
Foto tirada por mim, na Estação Lisboa Oriente, Portugal.
Passageira desconhecida. E sozinha.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Se enfiar na própria história. O valor de.
Só entende bem o outro, quem entende a si mesmo.
Espelho meu.
sábado, 17 de abril de 2010
Sereníssima.
Você espera as respostas que eu não tenho, mas não vou brigar por causa disso.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Os pensadores.
Nietzsche.
Leia de novo.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Dos pingos que caem do céu.
Minhas tias construíam barquinhos de papel de jornal, se molhavam inteiras no percurso até o outro lado da rua, e colocavam o barquinho na pequena correnteza que se formava no desnível da rua, entre a calçada e o asfalto.
Ficávamos olhando o barquinho seguir seu curso, até que a água da chuva o ensopava, e o afundava.
Hoje, no ponto de ônibus, a chuva me molhou inteira. Eu estava preocupada com a minha roupa, com os meus sapatos, com os meus papéis. Eu estava preocupada.
Mas, bem de longe, vi algo se movendo em meio a lama. Algo feliz na chuva. Eram dois cães. Eles brincavam felizes, rolavam na grama, pulavam, giravam, percebiam os pingos que caíam do céu como algo mágico, digno de ser experimentado.
Eu parei, e deixei a chuva me molhar toda, ainda mais, e queria beber aquela água, pra sempre.
Porém, quando eu era criança...
Aproveitava bem melhor a chuva.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Coração, coragem, pensamento, magia, lar.

Homem com coração de lata. Não, não tem carne nem pulso.
Leão que não é feroz. Não, não há coragem.
Espantalho que não pensa. Não, não há cérebro.
Mágico que não faz mágica. Não, não há magia ou encanto.
Entre desilusões, todos se acham.
E fica a lição... 'Não, não há lugar como o nosso lar...'
Com direito a três batidinhas em lindos sapatos vermelhos.
Se enfiar nas histórias. O valor de.

O valor, belo valor, de se enfiar nas histórias.
De se envolver até quando não se possa mais.
De ser visceral. Até... o até existir.
De ter tua história na minha.
"Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah! Eu usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo..."
I.L.
Para minha tia.
domingo, 28 de março de 2010
Aos que saíram da gaiola.

"Pai, essa sim é uma boa forma de criar passarinhos: oferecemos o que eles precisam, e eles ficam livres."
Então ele conta pra ela que caçava passarinhos quando era jovem, junto com o pai dele. Retiravam os passarinhos do lar, que era o mundo, e lhes apresentavam um novo lar, a gaiola.
"Não gosto nem de lembrar que fazia isso", disse ele.
"Mas lembre pai, agora nós oferecemos o que eles precisam, e eles ficam livres."
Sobre as histórias dos outros.

Ouvido que escuta tudo.
Mente que pensa sobre como pensar sobre o que o outro pensou.
Pessoas com necessidade de falar. Com muita necessidade mesmo de falar. Sobre o que lhes dói, sobre o que lhes marcou, sobre a vida, que fere a cada uma delas, em todos os momentos.
O ouvido e a mente daquela que escuta sempre saem feridos.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Na ferida.
"Guardou tudo bem direitinho lá no fundo do baú, não foi? Tampou com uma tampa bem grande de mármore, né?"
Bendita de palavras tão certeitas e tão cortantes. Ela não queria ouvir aquilo, não agora.
"Mas vai aparecer, em algum momento, você sabe, não é?"
Deus, o que vai ser do mundo depois que inventaram a verdade dita na cara?
Tudo bem, tudo bem... Sou adepta de verdades ditas.
sábado, 20 de março de 2010
Vi em algum lugar.
É flexível, acolhe a diversidade, promove a alteridade, estimula a liberdade, não é intransigente.
É resiliente.'
Junto. Misturado.
O que se vai fazer?
Deixar mais um dia amanhecer.
Todos, todos...
Alegria ou tristeza
Se espalhando no campo, no canto, no gesto
No sonho, na vida..."
M.N.
sábado, 6 de março de 2010
Sobre o prazer de engolir o mundo.

Era apenas essa pequena garantia que ela queria ter. Só uma garantia não ia fazer mal a ninguém, não era pedir demais, mesmo sabendo que estava imersa na vida, onde garantias não existem.
Engolir o mundo. Com tudo que ele tem pra oferecer. Este era um ato que garantia vivência interna, pulsante, sem deixar nenhum vestígio de estados vegetativos. Porque pior do que morrer, é estar vivo-morto.
E ela começou a entender que engolir, este ato citado anteriormente, com a conotação correta de estar vinculado ao mundo belo e feio, não dependia do seu estado de espírito, nem da posição geográfica, nem do estado civil. Ela poderia exercitar-se assim em diferentes épocas, situações e estados... Ainda bem. Muito ainda bem. Mesmo. Já que era uma questão de sobrevivência.
Maçã-globo.
terça-feira, 2 de março de 2010
As duas. Assim, ao mesmo tempo.
'Eles choram de alegria ou de tristeza?'
'Não importa... Alegria e tristeza podem co-existir...'
Ensaio...
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Confissão. Assim, contada.

Confissão. Assim, contada. No pé do ouvido.
Ele, quase melhor amigo dela, disse...
Os relacionamentos informais não, eles davam uma sensação de liberdade realmente instigante. Mas nunca duraram o tempo suficiente para mostrarem a que vieram.
Todas aquelas coisas sobre o amor... Ah, ele achava um saco. De ser calmo. De superar problemas. Do sofrimento ser recompensador. Ah...
Queria mais. Queria querer a pessoa todo dia. Gostar do cheiro. Admirar. Fazer poesia com inspiração. Saber das maravilhas do mundo, mas preferir estar na maravilha do contato com uma mulher só. De sentir frio na barriga quando visse. Mesmo depois de anos juntos. De gostar de ver luar, ouvir viola, beijar com sabor. De querer admirar, cantar canção pra ninar, se envolver.
Acho que ele queria demais. Por isso está só até hoje. Idealista. ... Será?
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Gratidão à vida.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Olhos pra fora.
"Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama (...)
Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim."
Porque... 'ela faz cinema'.
C.B.
Emprestado peguei.
Goethe
Emprestado peguei.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Flor de Leminski.
Acho...
no sentido mais amplo da palavra,
e verdadeiro.
A vida está em tudo,
pulsando o tempo inteiro.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
As letras das músicas.

Mas tinha uma curiosidade: ela gostava de, ao lado da antiga vitrola, ter um caderninho em mãos, para anotar o que as vozes enebriantes cantarolavam. Fazia parte, era uma graça escrever aquilo.
Depois, todas as canções começaram a já serem descritas. Ela abria o encarte, lá estava a letra. Tinham lhe roubado uma das partes do processo...
Abrir o encarte e já ver toda a música ali não era a mesma coisa do que descobrir vagarosamente, através da voz doce ou rouca, ou certeira... Não era a mesma coisa. Encontrar a letra feita lhe retirava o mistério do descobrir cada verso. Tirava a ansiedade deliciosamente matadora de ser surpreendida no próximo... acorde.
Resolveu. Encartes não foram feitos pra ela. Rasgava-os. Sentava na beira do som, agora digital, e se colocava a escrever letras no seu caderninho. Porque estar ali, descobrindo cada frase, e correndo para anotá-la... era uma das sensações mais instigantes que ela já havia experimentado.
Sobre a poeria embaixo do tapete.

Sobre o aprender a conviver com todos os nossos erros, e medos, e dores, e desperdícios, e fantasmas, e temas sufocantes de qualquer espécie. Às vezes, o que precisamos, é apenas aprender a conviver. Saber que está ali, e deixá-lo descansando, já que você tem outras coisas para fazer da vida.
Negar é mergulhar nele lá na frente.
Mergulhar nele é não conseguir sair.
Sentir é saber driblar. Sentir, deixar entrar, deixar sair. Fluir.
' Aprender a conviver com, tirar proveito, do que se torna sua prisão e sua liberdade. Sua sombra que reflete sua luz. Sua perdição, sua salvação.'
Sobre a poeira embaixo do tapete, e sobre as conversas maravilhosas que tenho com amigos sobre isso. Todos temos nossas poeiras. Ainda bem.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Aproveitando...
Ele insistiu...

Em só contar a verdade depois que ela já havia partido.
A verdade não, os pensamentos íntimos, frondosos, perigosos. Que por isso mesmo poderiam ser chamados de verdade. Pensamentos que modificam rotas. Vidas.
Lá na frente, conversando com sua criança, ela lhe contou (recontou) um segredinho velho...
"Querido, não se engane. Esses pensamentos íntimos, frondosos, perigosos, são os que nos fazem pulsar. Revela-os."
Mas o barco já havia partido.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Cores.

Coloridos. Tecidos. Brilho. Gente. Gente diferente. Gordo, magro, alto, baixo, negro, branco, feliz, triste. Endividado, rico, bêbado, sóbrio.
Ladeiras. Subidas, descidas. Todos numa só dança.
Todos os problemas deixados de lado. Todos percebendo a roda da vida. Dor e alegria misturados na folia.
Quando a multidão colorida canta, não há maior beleza. Carnaval, carnaval...
O melhor carnaval é aquele que a gente traz dentro de si.
"Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você (Diga! :) )
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar "... C. B.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Momentos mágicos.

Quase que ela não ia. Detestava interromper trabalhos, deixando-os pela metade. Mas foi.
Ele era uma pessoa que merecia esse esforço.
Quando lá fora chegou, ele a abraçou, e disse, simples assim: 'Olha o céu... Quanta infinidade. Que pureza. Que maravilha. Dá pra entender tudo, ou apenas deixar de querer entender, só porque há um bom céu com estrelas.'
E ela entendeu.
Para meu pai.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Realce. Com real teor de beleza.
O que a gente pode, pode
O que a gente não pode, explodirá
A força é bruta
E a fonte da força é neutra
E de repente a gente poderá
Realce, realce
Quanto mais purpurina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Não se impaciente
O que a gente sente, sente
Ainda que não se tente, afetará
O afeto é fogo
E o modo do fogo é quente
E de repente a gente queimará
Realce, realce
Quanto mais parafina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Não desespere
Quando a vida fere, fere
E nenhum mágico interferirá
Se a vida fere
Como a sensação do brilho
De repente a gente brilhará
Realce, realce
Quanto mais serpentina, melhor
Realce, realce
Com a cor do veludo
Com amor, com tudo
De real teor de beleza
Gil.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Falta.
Cai. E cai e cai, saudade boa. Vai. E vai e vai pra casa à toa. Chora. E viva, viva, vida tola.
Dança. E dança, e dança, assim na saia. Dela. Morena, arena, tão rosada. Vibra. E sobe, e sobe a ventania. Sente. E sente, sente, a pele viva.
Gira. E roda, roda, nada explica. Toca. E bate, bate tam tam tam. Joga. E parte, parte seu e dela.
Foca. E dorme, dorme, bem baixinho. Boa. Coisa tão boa, de pertinho. Riso. E bem de leve, ou bem altinho.
Fonte. Que não acaba, não me cansa.
Não, não me entenda nada, nada.
Não, não há porque tamanha tralha.
Não, não há sentido que me valha.
Mas há musicalidade, que me acalma.
E do futuro...
Segurança, falsa sensação de quem quer controlar tudo.
Planejamento, falsa ideia de quem quer ter as rédeas da vida.
Certeza, falsa concepção de quem ama o óbvio.
Provas. Por a mais b. Destino.
Nada disso. Prepare-se para o embaralhamento de vidas.
Sem título.
Não sabe.
'As pessoas mais interessantes que conheço ainda não sabem.'
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Com afeto.

Com afeto
Fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa'...
Minha amiga falou das Elenas. Então, me lembrei das Amélias.
Queimamos sutiãs, exigimos direitos, nos transformamos. Ficamos mais felizes?
Começamos a nos relacionar como os homens, somos mais livres. Somos mais felizes?
Podemos engolir o mundo. Sabemos o que fazer com esse poder?
Os extremos confundem. Parecem saudáveis, e não são. Podemos ver isso claramente entre a religião e a ciência: antes, os dogmas eram os católicos. Agora os dogmas são os científicos. E nenhum dogma é o que buscamos, porque eles engessam o pensar. Mesmo que o dogma tenha uma linda roupagem científica.
Antes, o extremo era a Amélia. Agora, o extremo nem tem nome. Mas é essa mulher que pode tudo, e, coitada, cansa.
Podemos sim, olhar para a Amélia a aprender com ela. Sem voltar a ser ela.
Já conquistamos muito. Precisamos agora é ter açúcar, ter afeto, reaprender a cuidar daqueles que amamos. Talvez essa seja uma das maiores forças femininas. Que os homens também possuem. Fato descrito por Gilberto Gil:
"Um dia / Vivi a ilusão de que ser homem bastaria / Que o mundo masculino tudo me daria / Do que eu quisesse ter / Que nada / Minha porção mulher que até então se resguardara / É a porção melhor que trago em mim agora / É quem me faz viver / Quem dera / Pudesse todo homem compreender / Ó mãe, quem dera / Ser o verão no apogeu da primavera / E só por ela ser / Quem sabe / O super-homem venha nos restituir a glória / Mudando como um Deus o curso da história / Por causa da mulher. "
Homens e mulheres viveram a ilusão de que ser homem bastaria.
Ps. Se a porção mulher que se resguardara era a melhor, porque quem restitui a glória é um super-homem?
Ps 2. Ah... Mas foi 'por causa da mulher'...
Ainda vale.
Ele não quer tratamentos alternativos. Ela sabe que seria o melhor. Ela percebe tudo. Infelizmente. Percebeu o início da doença, percebeu os primeiros sinais, percebeu o buraco que estava se abrindo, um buraco sem volta. Uma doença que debilita, corpo e alma, principalmente alma. Quem está preparado para lidar com aniquilador de sonhos?
Ele veio conversar com ela. Depois de anos. Disse que estava doente disso, que o médico tinha visto, o doutor tinha 'atestado' que era isso mesmo. E o doutor sabe. Sabe, sabe, sabe...
Vai tomar remédio? Vai mudar de estilo de vida? Vai continuar do mesmo jeito? 'Quero ter uma vida normal'.
Todo mundo morre um pouquinho quando alguém que ama está processando as ideias da forma mais destrutiva possível.
Ela percebia tudo, até antecipadamente. Só não sabia o que fazer com isso. Então, que serventia tinha? Que serventia tinha... Que serventia... Que... ...
Os olhos dele tinham mudado. Sem luz. A curva do corpo tinha se tornado mais cruel. A boca se contraía. A mente se embaralhava em tantos pensamentos. A sombra aparecia ao seu redor.
Como não se misturar nas histórias confusas dos que amamos.
Roda viva.
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
Com Chico Buarque, eu casava. Mesmo que não estivesse nos meus planos.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Delícia.
De ver através dos olhos, dos cílios, do que diz.
De ver através das verdades.
Através dos discursos, da palavra solta. Sem medo.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Ramificações frondosas de seus próprios pensamentos...
(Maira Viana Barros)
sábado, 16 de janeiro de 2010
Sim.
Dizer sim a tudo. Abrir o peito.
Sim, eu quero!
Ela entendeu a razão das crianças brincarem de montar e desmontar.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Sim, aqui quem manda sou eu.
Minha mente inventou de me dizer que eu estava escrevendo demais. Textos pequenos e rápidos. Que deveria voltar a escrever grandes contos, ou textos complexos, ou... parar um pouco, já que, enfim, ficar escrevendo feito doida não é coisa que se faça.
Onde fui parar... Mandei minha mente arrumar o que fazer, e expliquei a ela que quem manda aqui sou eu. Sim, quem manda sou eu, e farei o que bem entender no meu blog, já que, afinal de contas, ele é uma espaço livre, em todos os sentidos. Me deixa livre, me sinto livre. Sem amarras mentais.
Viva a liberdade, a liberdade de escrever loucamente.
Quando é festa lá fora...
Bem feliz, aqui dentro, e calmo.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Comodidade burra.
Há certas melodias que necessitam ser de notas bem escolhidas, e agora. Bem rápido. Um, dois, três, decidir.
Esperar demais é comodismo.
Ansiedade cega.
Há certos enredos que não vão acontecer. Pelo menos não agora.
É preciso tempo. Esperar.
Encerrando ciclos.
... É sabe o momento, bendito momento, de sair.
Sobre novas formas de amar.
A tranquilidade que envolve todas as coisas que precisam acontecer. O pensamento elevado, que sabe que está onde deve estar. Onde escolheu. E por isso mesmo, brinca alegre, criança feliz no jardim colorido.
A segurança de que certos encontros acontecerão. E que a energia envolvida neles é genuína, pura, magnífica. Mesmo que você fique assim, num espaço de tempo ou num espaço real, longe, distante, ainda assim... Reconhecerá os belos laços do cativar.
Quem sabe disso é seguro. Não perde o gingado se inflamando do que é bruto. Quem sabe disso é maduro. Acredita que tudo flui. Por este motivo, não há pressão.
E sem a pressão... Ah... Todas as verdades da vida acontecem. Aquelas contadas por outros, ouvidas por nós, e nem sempre acreditadas. Deliciosa teia de sentidos entrelaçados, seguros, pacíficos, amantes.
Porque o amar acontece na mente daqueles que esquecem o que é forçar alguém a alguma coisa para qual não se está pronto. O amar livre, despretensioso, atencioso, bossa nova.
Acreditar no ser amado, é como acreditar em Deus. Seja lá o que isso queira dizer.
E eu quis...

... que o mundo todo ouvisse. E voasse comigo.
Quis todos os sentimentos nobres, e elevados, e pacíficos, pra compor minha tela de azul piscina e rosa bebê. Pinceladas precisas e dançantes.
Todas aquelas lições já ouvidas pela humanidade, de valores, bons valores.
Quis guardar tudo isso em mim, e distribuir pro mundo.
Quis voar com os pássaros.
Overdose de Buarque.
Meu prezado rapaz
Mas você vai mal
Mas vai mal demais
São dez horas, o samba tá quente
Deixe a morena contente
Deixe a menina sambar em paz (...)
Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher mil homens, sempre tão gentis
Por isso para o seu bem
Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem."
Overdose de Chico.
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido."
E Sivuca.
My Sister's Keeper.
Mas minha cabeça só focou em uma coisa. No dançar da vida. Nesse eterno sobe e desce, através de ritmos alucinantes, doces, doloridos, ilusórios.
Qual a sacada do diretor? Mostrar esses intervalos de dor e glória. Os momentos doces marcados por uma leveza indescritível, com direito a bolhas de sabão, imagens infantis, fotografias, abraços e afagos. E os de dor, com toda a carga negativa que eles podem trazer.
E há coisas que simplesmente não entendemos. E que cada um tem que lidar com a própria dor, na forma como lhe convier. E que a vida continuará acontecendo, todos os dias, apesar de parecer que secou. É quase um passar por cima.
E que não há receita para lidar com essa emoção forte e misturada, que é viver.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Até a oitava geração.
Os dedos dos pés não se movem, e se tornam roxos.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Intertextualidade.
"Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade".
Renato Russo
Ps. Pessoas confusas? Mais lúcidas que muita gente.
Ilusão do livre arbítrio.
" Mesmo na liberdade, quando escolhia alegre novas veredas, reconhecia-as depois. Ser livre era seguir-se afinal, e eis de novo o caminho traçado. Ela só veria o que já possuía dentro de si. Perdido pois o gosto de imaginar." Clarice Lispector.
É verdade?

Ele disse que disseram a ele (mas era um pintor, tinha propriedade), que Salvador Dalí usava mel no bigode para se tornar atraente ao mundo das moscas, abocanhava uma quando ela chegava perto, e o zumbido dela, lá dentro da caverna feita de dentes e céu da boca, produzia nele uma inspiração fortíssima.
Não sei se é verdade. De qualquer forma, também disse que Dalí fazia parte do realismo fantástico: sua obra não era surrealista, pois havia formas nítidas, mas retratava, muitas vezes, algo impossível, irrealisável, fantástico.
Não pesquisei. De propósito, não pesquisei. Nem tudo precisa ser procurado na internet. Essa verdade, por enquanto, me deixou satisfeita. E é uma explicação plausível.
Realismo fantástico. Algo que é real, mas é fantástico, uma realidade possível retratada de forma impossível.
Que minha vida seja uma realidade fantástica.
Gaudí.
Torre traçada por Gaudí '.
Dialético. Todos que se identificam, sejam bem vindos.
Parque Güell. Nada reto. Todas as linhas em ondas. Ideias em ondas, sentimentos em ondas, vontades em ondas.
Tudo mudando. O tempo todo.
Barcelona, museu à céu aberto.
Voltar.
Amo a intensidade dos primeiros: primeiros textos, primeiros anos, primeiros dias, primeiras expectativas, primeiros olhares, primeiro toque.
Os primeiros textos são queridos. Representam o medo e a vontade de escrever. São genuínos.
O poder do mito:
Para todos aqueles que conversam com Joseph Campbell.
Beleza e futilidade.
Sim, e de todas as outras coisas, de cultura, de arte. (...) Blá, blá, blá.
Mas, beleza é importante. Principalmente quando se engorda muito, e se lembra da beleza que se tinha.
Diálogo. Triálogo.
'Mãe, o caminho é o fim, mais que o chegar. Se preocupe com a guerra na Somália. É mais humano, e pode ter jeito. Mas meu jeito não tem jeito.'
Teria sido uma boa possível resposta. E isso não é um diálogo de rancor.
De se esconder.
Uma multidão já conhece meu blog: seis pessoas. Porque era para ele ser conhecido por ninguém.
Gosto de me esconder. Nem que seja atrás de cada palavra.
O julgamento do outro sobre o que expomos e escrevemos é difícil. Ainda mais quando gostamos de quem lê.
O sapateiro.
Ela andava sozinha para consertar uma burrice que havia feito: pegar algo emprestado('quem empresta, nem pra si presta'), e, ainda por cima, rasgar o objeto. Uma mochila.
No caminho para o conserto, algo inusitado aconteceu: a sola da bota que usava descolou. 'Puta que pariu', pensou. Depois, pensou de novo, melhor, algo quase sublime:'Isso é um teste. Só tenho que manter a calma nas adversidades'.
Manteve a calma. Subiu a calçada. Pediu informação. Sim, havia um sapateiro logo ali, que, além da bota, poderia consertar mochilas velhas, emprestadas e rasgadas. Na rua da lanchonete. Não, na rua da farmácia. Não, logo mais ali à esquerda. Ande com o solado da bota rasgado mesmo, está chegando perto.
E o lá chegou. Beco pequeno. Parecia de filme, luz amarelada, rádio de pilha, amontoados de calçados por remendar, avental melado de graxa, cheiro de cola de sapateiro. Deu vontade de fotografar. Tudo que havia de típico, estava havendo ali.
O que quer, moça? Preciso que conserte a bota, disse, mostrando. E a mochila também. Enquanto o sapateiro consertava, conversava, indo de encontro a informação que haviam dado de que não era simpático. Porque é bom se surpreender até mesmo sobre o humor de sapateiros, queridos sapateiros. Falou dele. Da guerra. Do ofício aprendido há 65 anos. Trabalhava desde os 8. Trabalhou em lavoura também antes. E sorria. Sorria e pegava na cola, sorria e pregava as coisas, sorria e deslisava o dedo sobre os objetos que cuidava, um deslizar lento e preciso, coisa de gente que sabe o que faz.
Cobrou pouco. Disse que ela era uma querida simpática.
Há beleza em sapateiros, colas, idade avançada, deslizar de dedos, em ofício artesanal aprendido com outra geração.
Há beleza em perceber tudo isso.
Referencial. Tudo depende do.
Quem disse mesmo que ser poliglota era a saída?
Razão íntima das coisas
Razão íntima das coisas, profunda, raciocinante, cansa.
Há muito no não pensar.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Da dificuldade.
Como já me disse alguém, nem todo mundo suporta a felicidade. Foi um comentário pobre à primeira vista, mas que se mostrou concreto depois. Poucos aceitam o fardo da própria vitória.
Dois amigos inteligentes concordaram com esses estupefantes pensamentos. Confio neles.
Podemos negar, por medo de perder.
Podemos nem sequer reconhecer.
Possuir tudo te obriga a sentir a vida fluindo?
Quando o privilégio visita o cotidiano, e te empurra a felicidade goela abaixo, você se vê obrigado a sentir a plenitude. Isso te cansa?
Há mistério no ser feliz esperado, engessado, enfadado, sonhado por toda a gente?
Só quero mesmo um afago na alma, digno do ser feliz. Do ser feliz sóbrio, misterioso, diferente. Simples.